Luís Motta
Tem gente que aprende música como quem aprende uma profissão. Luís Motta aprendeu como quem aprende a respirar — porque não tinha outra opção. Aos 14 anos, pegou o baixo pela primeira vez sob a tutela de Sandro Forró, e ali ficou claro que aquele instrumento grave, pulsante e às vezes invisível seria a sua linguagem.
A fagulha que acendeu tudo tem nome e endereço: Biquini Cavadão no Largo da Pelúcia. Ver aquele palco, aquela energia, aquela conexão entre banda e plateia foi o momento em que a música deixou de ser passatempo e virou chamado.
A trajetória de Luís com a Street Rockets tem a cara dele — direta, honesta e sem drama desnecessário. Entrou em 2017, saiu no mesmo ano depois de uma briga com o vocalista, e voltou em 2020 com a cabeça no lugar. A volta não foi sozinha: contou com o apoio dos próprios colegas de banda e com a intermediação de Paulinho Nação, que o ajudou no teste de reintegração. Desde então, o groove ficou firme.
Suas influências vão além do rock clássico. Flathead e o pessoal do Assunção moldaram seu jeito de sentir o ritmo. No baixo, seu grande ídolo é Marvado. E quando o rock dá espaço, Luís não hesita em mergulhar no forró, no sertanejo e até no pizumba — um homem de palco que respeita qualquer clave.
Fora das quatro cordas, Luís trabalha com automóveis importados, universo que combina tecnologia, precisão e aquele prazer silencioso por coisas bem construídas. Sobre o hobby, ele responde com um sorriso enigmático: "preto com bolinhas" — e deixa o resto pra imaginação.
O show mais marcante? Aquele no bar do Assunção, onde tudo pareceu se encaixar do jeito certo. A música favorita do repertório é Frejat — sem precisar explicar muito mais. E o que a Street Rockets representa pra ele? "Paixão." Uma palavra. Sem rodeios.
Se não fosse músico, Luís Motta diz que estaria perdido. Felizmente, o baixo sabe exatamente onde ele está.
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